domingo, 30 de agosto de 2009

Três Tempos

1

A escolha de percorrer este caminho assim, com os pés estreitos. A paisagem trêmula. Nada se aprecia que não seja o próprio movimento... e esse caminhar quase perdido comprimindo-se contra objetos que são deixados de lado, um depois do outro deixados no tempo sem nenhuma ordem, eu te pergunto aonde com outras palavras eu te pergunto: tudo o que não quero saber e desapareço em algo não dito novamente e outra vez. O sofá que se desmancha, e a ponta do meu dedo na palma da sua mão. A paisagem agora arrastada com força pra longe, de uma vez só, as cadeiras tombando incessantemente, agora e agora e agora. Mais uma vez, eu acordo pedindo: a sua história mais uma vez, me conta por onde escorriam as cores dos dias em Nápoles?

2

25 rotações depois ela chega trazendo um alfinete nas mãos, como sempre atrasada e os cabelos sem ordem que se esparramam no tempo. 25 rotações. Em 25 rotações ela se esparrama sem ordem, os alfinetes no tempo se atrasando, os cabelos nas mãos. 25 vezes ela repete o gesto como sempre os cabelos, e entrega no tempo o atraso de um alfinete com as mãos. 25 homens sem tempo, as mulheres em ordem se atrasam, os alfinetes esparramados no chão. As mulheres sem ordem os alfinetes nas mãos. Ela se esparrama no chão, os cabelos em ordem, 25 gestos com as mãos, o tempo se atrasa no homem.

domingo, 23 de agosto de 2009

Ontem (em algum mês passado)

Minhas palavras sobre suas palavras
e de outra vez
suas palavras sobre os meus silêncios
A vida descansando entre os gestos
E de uma vez
ofereço à estes precipícios pensamentos inertes

a insistência do tempo sobre os pesares
a vagueza dos caminhos que me percorrem
o medo de me encontrar de novo
ao pé do vazio que se ergue nos ventos

Querer contar que eu morro.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Mar

Em qual direção está a superfície, quantos dias demora para se desafogar e tomar ar, quanta água se engole, qual a distância do mergulho, qual a força das marés que não se conhecem, em que praia as ondas agora se arrastam, qual o nome dessas águas, quantas histórias serão contadas, que vozes gélidas no canto de uma sereia desviam o navegante, qual é o seu nome nas horas tristes do dia, a que horas o sol se perde no mar, quais os caminho de volta navegante? Quem te ensinou a nadar? Quantos mares foram singrados sem que algo fosse perdido, sem que algo fosse encontrado? O que te leva, de novo navegante, a buscar o mar?