terça-feira, 9 de março de 2010

Singelamente

Você abre a porta.
Tantas vezes ainda.
A cada dia, como se nunca.

Tiro os sapatos para deitar na cama.

Tem uma lagartixa na sua parede.
Tenho uma coisa pra te contar.
Tem que falar, fazer, dormir.
Minha havaina em algum lugar.

E aquela planta morrendo: tem que regar.

Abre a janela?
Me deseja bons sonhos?
Me deseja? Como se diz: me deseja. Como se pede?

Em italiano.

Que que você está fazendo?!

Desço a escada. Desço a escada bem devagar.
Está chovendo em algum lugar.

Tem uma bandinha de carnaval.

Tem uma parede descascando.

Diz que me adora então, e fecha a porta pra eu poder voltar.
Que eu te escrevo essa brevidade.