Fechei a gaveta e esperei passar.
Fechei os olhos. E esperei passar. Quando abri, estava ela sentada ao meu lado e a chuva caindo, e ria, como uma besta. Sem parar. Gargalhadas, engolindo água e se engasgando. Certo de que morreria assim, abri um guarda-chuva, para que continuasse rindo até o fim.
Segurei o guarda-chuva aberto durante algum tempo, que não sei mais quanto. Se desenharam na minha cabeça séries infinitas de movimentos, e pensei a mesma frase em diversas línguas. Me perdi.
Fechei o guarda-chuva quando ela parou de rir.
Foi assim, sentados no quarto molhado e quieto.
Não me lembro que fim tivemos.