A noite aperta o cerco. O insône luta. Ele luta, marca as direções ao redor, traça algumas rotas com sua voz no escuro. Algo deve ser feito. Seu corpo se contrai, porque algo deve ser feito. Mas as brechas se perdem na noite comprida. Muito comprida.
E se desmancham no escuro as possíveis frestas para fora de si mesmo.
Um último resquício de segurança, a luz acesa, os olhos abertos. O insône carrega nas pálpebras seu futuro.
Assim o protege, olho aberto e boca cerrada, do fim dos tempos de todo dia, do vazio que é o fim dos tempos, desse vazio que o insône carrega e que arrebenta os seus desejos de madrugada.
Ele só pode manter os olhos abertos. Ele precisa. Seria o fim do mundo. A luz acessa, alguma coisa acontecendo. Qualquer coisa. A garantia do tempo correndo. A noite estrangulando os segundos sob seu olhar insône.
Se o tempo inexiste, de repente, seu mundo acaba. Acaba. Um mundo frágil. De minutos enfiados na carne, um por um.