sexta-feira, 9 de abril de 2010

Não Sei

Parece impossível as vezes. Agitou uma folha de papel no ar. Parece impossível que... impronunciável. Levantou-se de súbito, olhando para mim. Tive vontade de correr para bem longe.
E não escutar mais nada.
Agarrou uma ponta da história e repetiu: seus silêncios sobre minhas palavras me irritam. Você me irrita. Queria que você desaparecesse agora. Você e esse seu jeito irritante. Mas não vá. Fica mais. Eu não queria nada disso, desde o início você sabia que não era essa história. Como você é burra. Ou se finge de burra.
Você não fala nada pra não me deixar perceber esses seus movimentos. Que você se deixa ficar. De propósito. Você me atrasa e te quero fora daqui, fora da minha poltrona. Fora. Amassando a folha de papel. Tudo isso é mentira e não vale nada. Você nem consegue encontrar as melhores palavras. E fica aí me olhando, quer descobrir o quê? Vai pra sua casa e pára de ser burra.
E me deu as costas.
Meus olhos se encheram de lágrimas e eu me odiei muito.
Ah é? Tive vontade de correr cinquenta vezes passando por cima de sua cabeça, se fosse possível, e por cima da minha também. Eu sou burra, sou burra que nem você.
Virou e disse sem mais: Que isso não se repita. Sua mal-educada. Você me desrespeita sendo juvenil assim nas suas atitudes. Você é uma vergonha. Não vai dizer nada? Seus silêncios sobre minhas palavras me irritam. Você me irrita. Queria desaparecer agora.
E eu: Queria que você fosse pra China e deixasse de existir e batesse a cabeça num poste chinês, porque você é a pessoa mais estúpida que eu já conheci, queria que você ficasse bem triste de não escutar nenhuma palavra saindo da minha boca pra você nessa sua vida besta e patética.
E já era verdade, porque eu não falava isso, só pensava. Tive vontade de bater até desmanchar, e falar para as partes espalhadas: Calem a boca. Vocês são ridículas e imbecis.
E ele: Então é assim. A gente discute e você fica aí? Imóvel? Como você é....
E eu não sei se disse, ou se só pensei: Impronunciável.