segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Decerto


deserte-me
deserto-me
a porta fechada
se um dia abriu
uma ilusão
esse calor nas idéias
não há porta
não aporta. 
é um deserto
não um mar.
você é engraçada e sabe nadar. 
você não é de nada.
-
vejo as coisas explodindo.
os vasos
as louças
as mesas.
cada azulejo expelido.
vejo as coisas explodindo.
-
tu.
-
desertemos-nos
desertados nós
corpos colados
ventilador ligado
nós
e a porta
aberta
não é mesmo? não
-
dessert moi.


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

-



quarto em Pequim
ossos de porcelana



quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Papi, te escrevo


achei que fosse meu guarda-chuva
que se desfazia em prantos naquele dia
de todas as chuvas
que eu não tomei nessa cidade.
como a garoa virava tempestade?
a água escorreu sem molhar meus pés nem fazer poça.
agora
o guarda-chuva 
, sim, eu o segurava impunemente nas mãos naquele dia,
me ameaça constantemente
com os choros do mundo.

foi seu som deslocado
ampliado
escondido
sobressalto
torneira gigante, que me molhou mais
do que todas as águas antigas
que encharcam a Terra.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Nirvana


A casa segue alheia.
Em sua completude própria. Respira. Pede água.
Guarda os cheiros de sempre. Espera.
Alheia, despreocupada.

Me ausento de mim, subitamente.
O intervalo entre as batidas do coração se alarga.
Anfíbia.
Não me afeto mais.  
- Como naquela vez, segurando a respiração para não soluçar, num templo em ruínas, Cambodja. Parecia possível encontrar Buda antes mesmo de acabar com o soluço. -
Depois
outras coisas.

Até a exaustão.

Todo dia.