segunda-feira, 6 de abril de 2009

Estudos Para a Casa

Penso um lugar claro, tão claro que fosse talvez impossível reconhecer as fissuras que pudessem existir nestas paredes que penso.
Penso eu e ela, de azul escuro escapando pela luz para dentro da luz, sem conseguir abandonar o espaço.
Penso que você poderia me ajudar a desafogar minhas idéias e sei que isso pode ser muito.
Penso um mar de garfos e colheres, escumadeiras e coadores de metal, e a figura de uma mulher imantada que não consegue se livrar.
Que você poderia me ajudar a desafogar minhas idéias e sei que talvez isso seja impossível.
E nesses momentos sinto que poderia chorar porque talvez morra com todas elas dentro de mim sem ter conseguido contar nenhuma delas da maneira como gostaria.
Volto a pensar que esse estudo seria eu e ela, muito mais afogadas e rindo à toa num cômodo que não sabemos dizer qual é. Que a mulher imantada poderia cantar uma música bem baixinho, sentada no hall de entrada de lugar nenhum, porque esse seria o lugar dela: o lugar nenhum, como o meu.
Penso que esse estudo seria acima de tudo realmente um estudo, assim poderíamos experimentar os batentes das portas inexistentes e a falta delas. Então gostaria de um sofá no qual eu me sentasse e tudo fosse dito por mim sem complicações pra te observar segurar a idéia no ar.
Penso que são sempre estudos sobre a casa.