segunda-feira, 20 de abril de 2009

O Que Acontece Quando

As coisas se estendem nessa direção, onde não se acostumou a sentir, como não se está acostumado a. Do outro lado da braçada um. Daqui de longe, esquecer de olhar. Agora em volta não tem. Se ficar ruim. Se ficar pior. A imagem não parece ajudar, nem os seus olhos ou os seus ou os seus. Nem a sua mão, nem sua voz, nem a sua. Não é pra ninguém que eu quero falar, não é com vocês que fico tranqüila, não é pra vocês que eu quero contar, nada. Nenhum. O muro antigo onde apoiava, a casa velha onde deitava. A sala aberta, a porta escura, a carta crua, a estúpida calmaria, as folhas sujas. E tudo que foge embaixo da terra. O dia pende nesta direção. A luz é fria, o sino toca sem campanário, o sino toca na mão de alguém, o céu devora os risos largos. A sua cara. A vontade não se sustenta nessa direção. Nem os seus passos. O dia morre. O dia turvo, o dia estúpido. Qualquer dia seria um. Você vestido de. Todos os rostos. E o seu fruto espalha nesse corredor, esses vícios lentos, essas outras coisas. Elas se compreendem nesse fluxo torto. Que eu não gosto. Que eu detesto, como detesto. Se está só, sem ter pra onde.