terça-feira, 23 de julho de 2013

Desatiro Delito


I
eu ainda espero
algo no correr das horas velozes
eu ainda espero.
eu quero
há dias espero.
não durmo.
espero.
a qualquer segundo
rasgar os segundos 
paralisados de susto.
um sobressalto.
o sobressalto esperado.
eu ainda quero.
me desespero.
não acaba, nem me atinge o peito.
ele disse: rasga o peito.

II
o desespero de virar manhã.
eu te espero
quero
seu desespero.
rasgar o peito.
o que me falta
para o que será feito?
des-feito.
não me respeito.
defeito.
me sento na meia manhã que afinal me atinge o peito.

III
eu sigo.
no meu encalço
eu fujo,
então avanço
sobre seus defeitos.
me espanto.
eu não me espero.
não quero.
corro até cuspir, atropelo.
Desespero. 
Me diz 
meu defeito,
o efeito dessa corrida,
dessa mordida.
evidencia os dentes tortos.
minha lógica decorada das cores.
meus amores.
a lógica imprestável das dores.
você e eu. você.
me manda embora. 
Eu ainda espero.

IV
Por que então espero
esse sobressalto
ainda outra vez?
Por que não deixo?
Silêncio.
Ainda quero.
O rasgo no peito, 
há dias que - espero -
faço de conta que durmo, e espero.
esse sobressalto.
que virá,
talvez
até mesmo
quando me escapar 
da boca um nome
- silêncio - 
outra vez.