sábado, 24 de outubro de 2009

Setembro

Que durante a noite eu tenha me debatido contra mil noites que se lançavam contra o corpo, vindas de todas as direções, que ontem minha mão buscava arrancar o coração do lugar de onde ele parecia se desmanchar demoradamente, pedaços de carne morna e pesada. Ontem o choro veio do desconhecido e todos os gestos perdidos não eram suficientes para interromper o meu corpo de sentir o medo rastejar por baixo das cobertas. Que a mão não tenha conseguido se fechar em nada, nem nas roupas, nem na carne, nem no vazio.  E então te leio em mil pedaços, e sinto a tranquilidade mais enlouquecedora de saber que o sentir coube em palavras e entre elas.... e em nenhuma delas. Ontem o coração se arrebentou contra uma solidão crespa e velha, de afetos estagnados que azedam no tempo. E você diz aquilo que escorre na minha saliva, quando à noite os desejos sem aonde rasgam a pele sem jamais conseguir me rasgar... quando tudo que eu queria era arrancar com os dedos e os dentes o que sobrou desse coração doente, do corpo, dos gestos, dos sussurros, das respirações e ainda nesse segundo de escuro úmido encontro alguma delicadeza. Porque ontem à noite ser eu nos meus ossos era pequeno demais para cada minuto de desespero que cortava a boca aberta em silêncios molhados e quentes.