estaciono minhas vontades entre meus pés e os seus. Respiramos. Gosto.
De acompanhar seu ritmo. Com os olhos, e do jeito como os pensamentos de repente pousam no seu rosto.
Desamarro as vozes perdidas
atrás da porta em sussuros delirantes, inventamos histórias para dormir.
E alguns gestos que me arrancam do sono.
São vagas proferidas com a harmonia de uma tempestade. Tem sempre uma mão para amparar verdades que se partem em choques violentos contra as paredes do quarto.
Você segue esticando com as mãos a colcha que cobre a cama.
E os silêncios que carrego. Não escuto mais o que contam as frases.
Gosto de acompanhar seu ritmo.
A calmaria que sucede o desespero. De sentir.
A velocidade com que sou atirada para fora de mim, uma vez, muitas, e agora
que posso me ver: sentada aos meus pés, os olhos queimando,
desato os nós do cabelo e me perco
nos detalhes de uma imagem que aos poucos se forma atrás de minha cabeça. Que minha boca não alcança
com palavras.
Cala a boca.
Já não bastam as paredes: gritando, os pensares que se desencontram em todas as direções. Respira.
Queria pedir pra não dizer, tem algumas histórias que te arrancam do sono.
Toda noite. Você conta mais uma vez para si mesmo. Desassossego.
Toda noite. Você conta mais uma vez para si mesmo. Desassossego.
Cala a boca. Quando eu deito
descanso meus medos entre nossas mãos e
tem sempre o chão: para estancar as palavras atiradas.
Gosto de te acompanhar.
Nesses tempos. Desde o início o nascer se soube morte.
Nesses tempos. Desde o início o nascer se soube morte.
Assiste.
As histórias que nos atravessam. Enfim.