segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Quando vira mar

Prometo que não foi pensando em você que eu desviei do caminho. Enquanto eu corria enxarcando os pés nos reflexos da rua depois da chuva, ou durante, não sei.... foram dias de uma garoa interminável esses. Apesar dos sorrisos. Enquanto eu corria escutando o barulho da água correr, foi impossível não pensar naquela noite, quando soltamos os barquinhos na cachoeira que descia a rua da frente da sua casa. O olhar acompanhando o barquinho, violentamente arrastado pela rua. Corri na chuva, nesse dia e nos outros que vieram depois, até hoje. São dias de chuva quando penso em você. E escorrem águas dentro de mim como se a cidade fosse eu, como se a praça, e as ladeiras, tudo estivesse em mim. E quando chove são sempre por essas ruas mineiras que corro. Atrás do barquinho, carregada pela gritaria abafada de quem brinca na rua, embaixo de tempestade, esperando que tudo se afogue na cheia do córrego.