domingo, 27 de dezembro de 2009
Pontos de Vista
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Tratos Desfeitos
Toda noite. Você conta mais uma vez para si mesmo. Desassossego.
Nesses tempos. Desde o início o nascer se soube morte.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Vida Silenciosa
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Enquadramento
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Manhã
Basta uma batida de sinos numa igreja distante durante a manhã.
e o colo.
As casas, eu, você.
domingo, 22 de novembro de 2009
Crise
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Outro Dia
domingo, 8 de novembro de 2009
Quarto
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Ininterrupto Instante
sábado, 24 de outubro de 2009
Setembro
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Achados e Perdidos
sábado, 10 de outubro de 2009
Fatos Desfeitos
Seu olhar cansado e parece, daqui de onde olho, que você já viveu tanta coisa, você continua descascando as frutas sem prestar a menor atenção em nada a sua volta. E depois se esquece de apagar as luzes e anda atrás dele pela casa fazendo 10 perguntas por segundo. Ganhando tempo, te observo ganhando tempo com esse jeitinho clássico de deitar na cama como quem não quer nada, dizendo palavras incorentes quando acorda no meio da noite sem saber aonde está. Escuto sua respiração, seu coração que parece bater fora do peito. Te observo me observando, enquanto escrevo com o simples desejo de brincar com os fatos que você conhece e outros que desconhece, e outros que não existem a não ser nessas linhas imaginárias, que eu traço entre seus gestos e o mundo:
Existe um conter-se e um transbordar-se. Existe um tempo, um espaço, existe um vazio que se coloca entre essas paredes e a porta enquanto os pés brincam de balançar o corpo de um lado pro outro. Existe um peso no olhar que busca a si mesmo, pra se certificar da própria segurança. Existe uma súplica ou um desespero na boca entreaberta. Uma vontade de se afogar no intervalo de estar aqui, encostada na parede, e estar lá. Uma suspensão de tempo no recostar do corpo contra o corpo. E cada vento frio que atravessa esse cômodo, cada ranger de dobradiça, cada tilintar, cada passo no corredor... Existe um detestar profundo quando os pés brincam de pisar e não pisar nesse chão frio.
Me observo te observando.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Reflexão - 15.05.2006
o braço fraco sustenta o peso das lembranças
"Aquele que deseja lembrar-se deve confiar-se ao esquecimento, ao risco que é o esquecimento absoluto, e ao belo acaso que se torna, então, a lembrança."
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Sonho - 05.05.09
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Rascunho do Dia
domingo, 30 de agosto de 2009
Três Tempos
1
A escolha de percorrer este caminho assim, com os pés estreitos. A paisagem trêmula. Nada se aprecia que não seja o próprio movimento... e esse caminhar quase perdido comprimindo-se contra objetos que são deixados de lado, um depois do outro deixados no tempo sem nenhuma ordem, eu te pergunto aonde com outras palavras eu te pergunto: tudo o que não quero saber e desapareço em algo não dito novamente e outra vez. O sofá que se desmancha, e a ponta do meu dedo na palma da sua mão. A paisagem agora arrastada com força pra longe, de uma vez só, as cadeiras tombando incessantemente, agora e agora e agora. Mais uma vez, eu acordo pedindo: a sua história mais uma vez, me conta por onde escorriam as cores dos dias em Nápoles?
2
25 rotações depois ela chega trazendo um alfinete nas mãos, como sempre atrasada e os cabelos sem ordem que se esparramam no tempo. 25 rotações. Em 25 rotações ela se esparrama sem ordem, os alfinetes no tempo se atrasando, os cabelos nas mãos. 25 vezes ela repete o gesto como sempre os cabelos, e entrega no tempo o atraso de um alfinete com as mãos. 25 homens sem tempo, as mulheres em ordem se atrasam, os alfinetes esparramados no chão. As mulheres sem ordem os alfinetes nas mãos. Ela se esparrama no chão, os cabelos em ordem, 25 gestos com as mãos, o tempo se atrasa no homem.
domingo, 23 de agosto de 2009
Ontem (em algum mês passado)
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Mar
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Cena 1
Nessa cama preparada, cada dobra tão insuportável quanto a outra.
As mãos não se seguram firmes e em cima da mesa não temos nada para nos distrair.Estamos sós. O vento forte buscando navios no alto mar. Navios para as palmas da mão.
Seguimos escutando o ecoar dos passos e infinitamente continuamos a escutar o ecoar dos passos.
Como chegar aqui?
Onde os olhos alcançam apenas horizontes e as mãos se encostam de leve para saber que existe uma temperatura, algo pra singrar os barcos. A grama sob os pés derretendo.
domingo, 26 de abril de 2009
Solo
E de mim mesma, e de quando não sou mesma, e me ultrapasso
Em lentas pilhas daquilo que se coleciona do tempo.
Dos mundos que se precipitam em cada divergência,
Em cada descontração de tempo, em cada liquefação, em cada transformação
Do estado das coisas.
Do que transborda de cada historia prensada.
O que transborda de mim, e me ultrapassa.
“a duração é tão somente essa própria coexistência, essa coexistência de si consigo”
segunda-feira, 20 de abril de 2009
O Que Acontece Quando
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Estudos Para a Casa
Penso eu e ela, de azul escuro escapando pela luz para dentro da luz, sem conseguir abandonar o espaço.
Penso que você poderia me ajudar a desafogar minhas idéias e sei que isso pode ser muito.
Penso um mar de garfos e colheres, escumadeiras e coadores de metal, e a figura de uma mulher imantada que não consegue se livrar.
Que você poderia me ajudar a desafogar minhas idéias e sei que talvez isso seja impossível.
E nesses momentos sinto que poderia chorar porque talvez morra com todas elas dentro de mim sem ter conseguido contar nenhuma delas da maneira como gostaria.
Volto a pensar que esse estudo seria eu e ela, muito mais afogadas e rindo à toa num cômodo que não sabemos dizer qual é. Que a mulher imantada poderia cantar uma música bem baixinho, sentada no hall de entrada de lugar nenhum, porque esse seria o lugar dela: o lugar nenhum, como o meu.
Penso que esse estudo seria acima de tudo realmente um estudo, assim poderíamos experimentar os batentes das portas inexistentes e a falta delas. Então gostaria de um sofá no qual eu me sentasse e tudo fosse dito por mim sem complicações pra te observar segurar a idéia no ar.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Um Escrito de Tristeza de Incerteza
Escrevo
Escrevo
Escrevo
Sabendo que não me levarei a lugar nenhum assim
Nenhum lugar distante deste em que me encontro
Nenhum lugar definitivo e longe daqui
Nenhum lugar onde você não me alcance
E me imagino agora uma pessoa pequena descendo do lugar mais alto
Encostando o pé bem devagarinho no chão
Para me desfazer das coisas.
Catadora de Danças
e derramando-o aos seus pés, para que você olhe.
Invento o tempo em dança pra você... não poderia te oferecer mais que isso, nem maior, nem menor, nem mais.
Não poderia pensar sobre você em mim melhor que me desmanchar em danças
sob seus olhos.
terça-feira, 17 de março de 2009
Tentativa #1
os passos rasgando segundos estridentes
o desejo se arrebentando no chão
juntar os pedaços em cima da mesa onde se juntam mãos
e se deixar estar nas horas como quem se deixa estar no sofá
em tardes de porcelana
respirar com cuidado de não desmanchar o tempo
não é o suficiente
prender a respiração
assistir o dia escapando pela tangente possível do seu olhar
não é o suficiente


